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NOTÍCIA: Açúcar continua negócio lucrativo para safra 2010/2011

08/03/2010

 

Assim como na safra 2009/2010, as usinas sucroenergéticas deverão continuar lucrando com o comércio do açúcar até o final da safra 2010/11. De acordo com a empresa de consultoria AgraFNP, o produto irá apresentar preços bastante interessantes no mercado internacional e a tendência é de aumento na produção para atender a demanda aberta com a quebra da safra da Índia.

Segundo maior produtor mundial da commodity, o país asiático experimentou uma queda superior a 10 milhões de toneladas, produzindo apenas metade do que era previsto para a safra 2009/10. De acordo com avaliação de especialistas, a recuperação indiana antes do ciclo 2011/12 parece ser improvável.

"Com esse déficit produtivo por lá, provocado por revezes no clima, os preços do açúcar no Brasil devem permanecer elevados, acima da média histórica", avalia Bruno Bosiz. Em 2009, por exemplo, a cotação chegou a ultrapassar 22 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova Iorque, valor recorde dos últimos 28 anos. "Para esta safra, a expectativa é que os valores fiquem próximos dos 20 centavos de dólar", acrescenta Bosiz.

Com o preço do açúcar em alta desde o ano passado, a exportação da commodity se tornou muito mais vantajosa para o setor sucroenergético, que precisava fazer a opção mais lucrativa entre ampliar a venda do açúcar valorizado no mercado externo ou continuar produzindo etanol menos remunerador no mercado doméstico. De acordo com o analista da AgraFNP, a expectativa é que o mix de produção das usinas e destilarias da região Centro-Sul cheguem, neste ano, a 43,4% para açúcar e 56,6% para etanol.

Mas, com a expectativa de que os preços internacionais do açúcar continuem elevados, existe a possibilidade de a participação do açúcar subir em até um ponto percentual no decorrer da temporada.

Em comparação com o mesmo período da safra 2008/09, o crescimento do mix para o açúcar foi de 8,9%, conforme levantamento da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). Já o biocombustível extraído da cana sofreu queda de 5,84%.

"A perspectiva tanto de demanda quanto de preço permanecem no mesmo patamar da safra passada. A defasagem de oferta de açúcar no mundo varia entre oito milhões a 12 milhões de toneladas, um cenário muito favorável para os produtores colocarem seu produto no mercado externo", explica o representante da Unica em Ribeirão Preto (SP), Sérgio Prado.

Influenciada por outros fatores além do ótimo preço, a produção de açúcar do Centro-Sul, que responde por mais de 90% da produção brasileira, é estimada pela AgraFNP em 33,6 milhões de toneladas nesta safra, uma elevação de 4 milhões de toneladas em relação a 2009/2010.

Esse crescimento, de acordo com a AgraFNP, está intimamente atrelado ao aumento da moagem de cana da região Centro-Sul, que deve atingir 583,5 milhões de toneladas. A estimativa representa um crescimento de 52 milhões de toneladas, ou de 9,6% em relação ao volume moído na safra 2009/2010 até 16 de fevereiro, de 532,5 milhões de toneladas, de acordo com dados divulgados na semana passada pela Unica.

De acordo com Bosiz, o aumento esperado na moagem da nova safra deve-se às novas usinas que podem entrar em funcionamento e ao volume expressivo de cana que ficou nos campos devido às chuvas no período da colheita, acima de 25 milhões de toneladas. "Também estamos contando com um clima favorável para a cana, influenciado pelo El Ninõ, com um verão muito úmido e inverno bastante seco. A produtividade deve aumentar se essa previsão se confirmar", pontua.

Fonte: UDOP - Campo News

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