18/01/2010
Em meio à construção da sua unidade de eteno verde (fabricado a partir do etanol da cana-de-açúcar) em Triunfo, a Braskem avalia a possibilidade de também produzir o polipropileno verde no polo petroquímico gaúcho. "Provavelmente será aqui no Rio Grande do Sul (a instalação da nova planta), nós estamos estudando isso", diz o vice-presidente de Insumos Básicos da companhia, Manoel Carnaúba.
Segundo ele, trata-se de um projeto que deve ser desenvolvido e concluído antes dos próximos cinco anos. O dirigente afirma que ainda é cedo para falar de capacidade e investimento nessa iniciativa. Contudo, se for levado em conta o recurso aplicado na unidade de eteno verde (cerca de R$ 500 milhões), será um grande aporte.
Conforme o diretor do projeto de eteno verde da Braskem, Guilherme Guaragna, 61% deste empreendimento já foi realizado, o que significa que as ações estão avançadas em relação ao seu cronograma inicial. A expectativa é de que a operação, em escala comercial, ocorra em outubro. Guaragna informa que atualmente trabalham nas obras cerca de 1,3 mil pessoas. O pico de contratações será atingido em fevereiro, com cerca de 1,5 mil trabalhadores.
A unidade terá capacidade para produzir até 200 mil toneladas de eteno verde ao ano, que serão consumidas pela própria Braskem para fabricar o polietileno verde. Essa resina é utilizada para fazer sacolas para supermercados, embalagens, entre outros artigos. O polipropileno, por sua vez, é empregado em copos plásticos, peças de produtos linha branca e em mais itens.
Carnaúba adianta que, futuramente, a intenção é ampliar a capacidade de produção de resinas renováveis. "É a consolidação da nova química e pretendemos ser o líder nesse segmento", diz o executivo. Somente para o polietileno verde, existe hoje uma demanda três vezes superior à oferta da planta que está sendo implementada no polo de Triunfo.
O vice-presidente de Insumos Básicos da Braskem comenta que foi comercializada antecipadamente em torno de 60% da capacidade de produção do novo complexo. Ele argumenta que não foi vendida toda, pois a ideia é ter uma parcela para aproveitar oportunidades de negócios após o começo das operações.
Carnaúba lembra que se trata de uma resina que tem propriedades físicas e químicas idênticas às do polietileno de matéria-prima fóssil, mas feita de material renovável e que tem características ambientais "muito mais amigáveis". O executivo relata que será elaborado um nome comercial para o produto, vinculado a uma estratégia mercadológica.
Além do investimento na unidade de eteno verde, cerca de R$ 100 milhões serão empregados até o final do ano pela Braskem no polo gaúcho. Os recursos serão utilizados na ampliação das plantas de polietileno e em estruturas associadas ao projeto verde que contemplam, entre outros pontos, a logística de movimentação do etanol.
Carnaúba e Guaragna estiveram nesta quinta-feira em Triunfo acompanhando a visita da governadora Yeda Crusius ao canteiro de obras. Na oportunidade, Yeda firmou convênio com a prefeitura do município para qualificação profissional de jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social. A governadora também recordou e destacou as ações da coordenadora da Pastoral da Criança, a médica Zilda Arns, morta em decorrência do terremoto no Haiti.
Fonte: UDOP - Jornal do Comércio - Porto Alegre/RS
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